
Na minha infância eu sempre quis ser artista.
Na minha mente as minhas bonecas cantavam, pintavam, escreviam e dançavam. Todas elas tinham a arte no corpo e na alma.
Nunca fui como as bonecas que imaginei, minha voz me engavana, minhas mãos eram frágeis para conseguirem manter-se firmes nos contornos, a minha criatividade inventava estórias incoerentes e as minhas pernas transformavam as belas danças em movimentos desastrosos.
Na minha infância eu era o artista que não tinha o dom, que não tinha melodias de músicas, que não tinha telas para pintar, que não tinha idéias para poetizar e que não tinha compasso para a arte de dançar.