Adeus
A Deus
lhe deixo,
Lúcia.
Quero agradecer à Lúcia por deixar-se moldar pela loucura que habita meu cérebro. Agradeço à Lúcia por ela ter 26 anos e ter 16 no seu/meu flashback. A propósito, Lúcia é a personagem da estória que comecei a escrever.
Acima é o último trecho escrito até agora.
A propósito, estou me despindo do vermelho e branco natalino sem ter desejado felicidades de Natal aqui. Graças a Deus não precisei fingir sorrisos doces nesse último Natal. Me cansei, fiz isso por 18 anos. Encomendei o dono de uma parte do céu para o próximo ano. Aliás, encomendei-o para a eternidade. Eis o motivo do meu sorriso doce e amarelo ser verdadeiro.
Wednesday, December 26, 2007
Thursday, December 13, 2007
A HORA DA CONSTELAÇÃO
Meus olhos escorregaram do meu rosto e caíram no chão. Abaixei para ajuntá-los e coloquei-os novamente no lugar. Pareciam trêmulos. Esfreguei-os um pouco. E vi Clarice. Fui ao centro da cidade e me sentei no banco da praça. As flores sorriram pétalas adocicadas. Ao meu lado estava Clarice. Diferentemente dos outros dias, me senti feliz no dia em que conheci Clarice. Nunca imaginei a existência de alguém que nunca vi. Sempre fui acorrentada pelo perfeccionismo. Clarice? Quem é Clarice? A única que me lembro de ter conhecido foi a mulher da papelaria. Hoje um senhor de cabelos grisalhos trabalha lá, e nunca mais vi Clarice.
Abri um livro. Fechei um livro. Clarice estava na minha casa, parecia saber tudo do mundo, embora eu nunca tivesse conversado com ela. Um tanto submissa eu, pensariam todos. Clarice era uma criança com cabelos escorridos, era uma idosa com rugas, era uma mulher silenciosa, era um homem rude, era uma virgem de vestido branco engomado, era uma prostituta de mini-saia e tomara-que-caia, era injusta, piedosa, era o infinito do mundo e uma parte da minha mente.
Conheci Clarice pelas palavras. Nasceu em 25 e eu, em 88. De alguma forma nada representam os anos. Clarice ainda vive n'A Hora da Estrela. Eu conheci a genialidade Lispectoriana e digo que todas as graciosas horas de vida de Clarice foram horas de constelação, e não de estrelas. Conseguir unir o brilho de cada sensação e personalidades diferentes é muito mais difícil do que remendar uma teia de aranha.
Uma das coisas que marcam o humanismo exarcebado daquela que está agora ao meu lado:
"Para que escrevo? E eu sei? Sei não. Sim, é verdade, às vezes também penso que eu não sou eu, pareço pertencer a uma galáxia longínqua de tão estranho que sou de mim. Sou eu? Espanto-me com o meu encontro"
Bem-vindos, disse Clarice Lispector (1925-1977)
Abri um livro. Fechei um livro. Clarice estava na minha casa, parecia saber tudo do mundo, embora eu nunca tivesse conversado com ela. Um tanto submissa eu, pensariam todos. Clarice era uma criança com cabelos escorridos, era uma idosa com rugas, era uma mulher silenciosa, era um homem rude, era uma virgem de vestido branco engomado, era uma prostituta de mini-saia e tomara-que-caia, era injusta, piedosa, era o infinito do mundo e uma parte da minha mente.
Conheci Clarice pelas palavras. Nasceu em 25 e eu, em 88. De alguma forma nada representam os anos. Clarice ainda vive n'A Hora da Estrela. Eu conheci a genialidade Lispectoriana e digo que todas as graciosas horas de vida de Clarice foram horas de constelação, e não de estrelas. Conseguir unir o brilho de cada sensação e personalidades diferentes é muito mais difícil do que remendar uma teia de aranha.
Uma das coisas que marcam o humanismo exarcebado daquela que está agora ao meu lado:
"Para que escrevo? E eu sei? Sei não. Sim, é verdade, às vezes também penso que eu não sou eu, pareço pertencer a uma galáxia longínqua de tão estranho que sou de mim. Sou eu? Espanto-me com o meu encontro"
Bem-vindos, disse Clarice Lispector (1925-1977)
Subscribe to:
Posts (Atom)