Tuesday, November 27, 2007

DICHTUNG

"Dichtung" significa poesia, em alemão.
Como eu já disse à alguém, minha criatividade caminha em passos lentos, aliás, acho que nem aprendeu a andar ainda.
Só para não cair na mesmice de abandonar, também em passos lentos, um blog, atualizarei com um poema persa, do séc. XIII.


"Alguém bateu à porta da Bem-Amada e uma voz lá de dentro perguntou:
- Quem está aí?
E ele respondeu - Sou eu.
A voz então disse:
- Esta casa não conterá nós dois.
E a porta continuou fechada. Então o Amante foi para o deserto e na solidão jejuou e orou.
Retornou depois de um ano e bateu novamente à porta. E de novo a voz perguntou:
- Quem é?
E o amante respondeu:
- És tu mesma!
E a porta foi aberta".


O amor tem disso mesmo, simplicidade. O amar tem muito mais que isso, complexidade.
Parece mera coincidência as figuras amantes aparecerem com letra maiúscula... Mas não é... O amor banalizado é coisa atual; tranfiguravam elevações da alma e a superioridade de quem não guardava o amor na sua penteadeira faziam juz ao Caps Lock. Nunca é tarde para se compreender que o amante anula seu "eu-egóico" em presença da Bem-Amada. Nunca é tarde para se compreender, mesmo estando com a cabeça em um pote de sorvete derretido e um professor tenha que te dar as aspirações poéticas.

Saturday, November 17, 2007

ROSAS, ROXOS E VERDES...

Quantas rosas vermelhas vc já teve? De quantas precisa?

Eu ganhei um buquê de rosas vermelhas (faz um bom tempo). Elas eram lindas e tinham um odor maravilhoso! Rosas vermelhas demonstram paixão, a pureza da paixão, a paxião verdadeira.
Você já teve uma rosa vermelha. Tem outra agora. Mas, quantas já teve?
Não, quantas rosas vermelhas vc já teve, de verdade? Não considere aquelas que são de plástico. Você nem precisa regá-las, pois elas estarão sempre ali, vivas, para quando sentires a necessidade de vê-las... Elas não têm sequer espinhos que possam demonstrar a força que elas têm, mesmo diante da fragilidade. Não importa quantas rosas vermelhas de plástico vc já teve. Todas elas juntas não te dariam o medo, a segurança, o amor, o ódio, as palavras, o silêncio que a única rosa vermelha, sozinha e verdadeira, poderia dar. A pitada de vida que te falta. A parte moral que tua máscara de São Francisco consegue disfarçar.
Sim, rosas de plástico servem para enfeite. E espero que elas te enfeitem muito, principalmente a sua cabeça de sopa gelada.
Queria que as pessoas que lessem pudessem compreender, mas acho que a única pessoa que compreenderia não lerá, pois estará muito ocupada, vendo suas rosas de plástico.

Monday, November 12, 2007

BOM SENSO? ONDE SE VENDE?

Eu já ouvi dizerem que a impulsividade é própria dos artistas. Se esse fosse o caso, eu não me importaria nadica de nada.
O fato é que não sei de onde brota isso. Só sei que é disso que brotam os atos mais verdadeiros. Eu não consigo não me mobilizar (não tão diretamente) quando alguém me diz que não suporta mentiras, se há provas de que esse próprio falante mentiu por várias vezes. Algo me corrói o estômago. Não sei, mas minha consciência é tão pesada que eu acho que colocaram uma caixa de alicates dentro. Eu gosto das coisas limpas, não suporto sujeiras, não suporto encontrar coisas debaixo dos panos. É assim quando faço faxina, é assim quando lido com as pessoas... algumas, porque descobri que outras pessoas são plantas, não têm sentimentos. Até um gato manhoso e mimado me dá mais dó.
Não lembro onde comprei esse tal de bom senso, não lembro se o ganhei de presente, não lembro se o encontrei pelas estradas. Só sei que muitas pessoas perderam... ou nunca tiveram!

Tuesday, November 6, 2007

CINEMA ASPIRINAS É URUBUS É...


É o Brasil. É a Segunda Guerra. É a miséria. É o orgulho. É a simplicidade. É a liberdade. É o tom marrom. É verão forte. É campo de concentração. É companheirismo. É imaginação. É medicamento. É revolução. É cinema. É contradição. É Amazônia. É simplificação.


É o meu dadaísmo que engoliu o céu e se afogou com estrelas. Ao meio-dia*.


Nessas horas o Brasil mostra a cultura que tem e o quanto pode elevar o valor que a sétima arte produzida aqui pode ter. Nada de peitos e bundas. Imagens naturais com frases simples e inteligentes.


Cinema, Urubus e Aspirina é:

"...é feliz mas é triste...faz agente pensar na vida...e pensar na vida da gente. Uma vida que devia ser assim: buscar a felicidade e mais nada!" (do próprio filme)


* Porque sempre é necessário ter uma pitada non-sense.

Friday, November 2, 2007

MINHA DESCRIÇÃO SOB A ÓTICA DO FILÓSOFO



Eu cheguei a achar que era um ser esquizofrênico que deveria ser submetido à análises psicológicas e psiquiátricas por crises de impulsão, abstinência, excessividade, bipolaridade e outros.
Até que um certo alemão parece entender toda a minha mente e, de certa forma, melhor que eu mesma. Georg Wilher Friedrich Hegel me deu o diagnóstico: é um entusiasmo pela própria perfeição, é uma suscetibilidade exagerada. E eu deveria pensar que todos devem me compreender e adivinhar e, mediante a indiferença, a sua solitária beleza sente-se insultada e profundamente ferida.
Na verdade, ele disse que eu uso uma couraça psíquica e nela se encontra todas as reflexões com que me atormento e importuno os outros. É um labirinto, uma loucura poética e um interesse extravagante.

"Esta substancial e interna inconsistência do caráter conduz ainda a um outro resultado: a uma falsa hipótese destas singulares perfeições da alma que um raciocínio pervertido arvora em potências independentes. Isso dá origem às concepções em que desempenham um grande papel a magia, o demonismo, o magnífico, as histórias de fantasmas, de almas do outro mundo, de videntes e os milagres do sonambulismo".
(Hegel, 1770-1831)

Ultimamente o sonambulismo tem dado lugar à total insônia, vertente de preocupações e estômago vazio.


Thursday, November 1, 2007

Crise das Identidades de Gênero

Fuçando alguns arquivos encontrei um resumo, (o qual não me lembrava mais da existência) de título: "Vivemos uma Crise das Identidades de Gênero?"
O título era uma pergunta. Logo, intuitivamente, respondi: "Sim".
Mais abaixo li a seqüência de palavras-chave: Identidade Social, Gênero, Gays e Lésbicas, Mudança Social, Pânicos Morais.

Na verdade, primeiramente é preciso definir a concepção de gênero. Em língua portuguesa, por exemplo, há dois tipos de gêneros consideráveis: o masculino e feminino e há, também, a concepção de gênero textual.
Dioante da primeira pergunta, a minha resposta foi centrada em uma outra definição de gênero, mais abrangente (e mais perigosa).
Vivemos numa identidade de gêneros. Humanos. O homem não consegue manter uma identidade social que possa ser apresentada; há várias partículas de tentativas individuais que acabam na mesma tripa de valetes.

Leitores invisíveis (obrigada, Ítalo Calvino, por compreender que de alguma forma o invísivel é objetivo), o que há, em tudo, são sentimentos forjados. E a desculpa de ser próprio da natureza humana é razoalmente ridícula.