Tuesday, October 30, 2007

VENENOS E ANTICORPOS DE LABORATÓRIO







Alguém:

- Se uma cobre te mordesse, quem morreria primeiro?


Eu:

- A cobra, é claro.


Alguém:

- Ah!


Eu:

Quando me produziram em laboratório, uniram anticorpos (que seriam depositados em mim, depois de completa) com antígeno de veneno de cobra.


Alguém:

- E o feitiço viraria contra o feiticeiro; é isso?


Eu:

- Sim, tantas novidades na ciência... Estou esperando para que esses anticorpos produzam proteínas que não sejam apenas reagentes à mordidas de cobras. Deveriam reagir às palavras humanas; essas sim, por tantas vezes nos são estranhas e incompreensíveis. E então, alguns seriam eliminados.






DIVAGAÇÕES PÓS-ESTÁGIO

O mérito pedagógico e a ética profissional rejeitam qualquer tipo de aceitação maior a certos indivíduos. O problema é quando a diferença apática é grande, o estímulo à aversão é completo e a migalha partitatória é invisível. E o maior humanista, incoscientemente (ou talvez ele saiba mais que todos e tente desestimular), é coerente a essa afirmação. O esforço de apenas uma das partes é cansativo e o reconhecimento é nulo. A sede de conhecimento tem de estar presente, ainda que a parte da experiência não seja tão motivadora. E o exemplo vivo somos/fomos nós mesmos.

Depois de um dia estágio. Agora é só a saudade até 03/2008

A COROA DE ORQUÍDEAS

A COROA DE ORQUÍDEAS (Nelson Rodrigues)

JUVENTINO (numa excitação de possesso): Nunca houve marido tão feliz como eu! Duvido! (confidenciando a um dos presentes no velório) Era tão séria que namorou um ano comigo, noivou dois e só topou beijo na boca depois do casamento! Quer dizer, mulher batata! Teve pudor de mim até o último momento. Nunca tomou injeção que não fosse no braço! Isso que era mulher no duro, cem por cento! O resto é conversa fiada! (atendendo o telefone) Alô!
CUNHADO: Juventino, estou aqui vendo coroas, e... tua coroa pode ser de orquídeas?
JUVENTINO: Pode. Por que não?
CUNHADO: Mas é puxado!
JUVENTINO: Quanto?
CUNHADO: Oitocentos.
JUVENTINO: Ladrões! Vamos fazer o seguinte; orquídea é uma flor besta, sofisticada. Arranja uma coroa mais em conta.
CUNHADO: Qual é a dedicatória?
JUVENTINO: Põe assim: ‘À Ismênia, saudade eterna do seu Juventino”. (para os presentes) Como é possível morrer de pneumonia? Se fosse câncer, vá lá. Mas pneumonia!
(Nesse momento todos os olhos se voltam para a porta. Entra uma coroa (de orquídeas) monumental)
JUVENTINO (se aproxima e lê a meia voz): “À inesquecível Ismênia, com todo o amor, de Otávio”. Otávio? Quem é Otávio? Vocês conhecem algum Otávio? (volta-se para a coroa) Mas como é possível? Que negócio é esse? (resmungando) “Todo amor” por que? (se aproxima da coroa) O cara que mandou isso gastou os tubos. E por que, meu deus, por que?
CUNHADO (para Juventino): Vamos fechar o caixão,você não vai beijá-la?
JUVENTINO (levanta. Vai até o escritório e volta. Aproxima-se do caixão puxa um punhal e crava na defunta aos berros) Cínica! Cínica! Cínica!